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The Star é multada em A$ 260 milhões na Austrália por falhas graves de prevenção à lavagem de dinheiro

A Justiça Federal australiana determinou em 28 de outubro de 2026 que empresas do grupo The Star paguem uma multa civil conjunta de A$ 260 milhões. A AUSTRAC apontou falhas sistêmicas na análise de clientes de alto risco, na origem dos recursos e no monitoramento de transações.

Justiça australiana aplica multa de A$ 260 milhões à The Star

Em 28 de outubro de 2026, a Justiça Federal da Austrália determinou que duas empresas operadoras de cassinos do grupo The Star Entertainment Group paguem, juntas, A$ 260 milhões por descumprimento da legislação de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo (AML/CTF). A ação foi aberta pela unidade de inteligência financeira AUSTRAC em novembro de 2022. A decisão consta no processo [2026] FCA 1606.

Do total, A$ 195 milhões correspondem à operação de Sydney e A$ 65 milhões à empresa de Queensland. O tribunal autorizou o pagamento em quatro parcelas ao longo de aproximadamente 19 meses. A penalidade federal é distinta de punições administrativas anteriores impostas por autoridades estaduais.

Por que a The Star foi multada?

A Justiça concluiu que a operadora não manteve um programa de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo em conformidade com a lei e falhou no acompanhamento da movimentação dos clientes. O período analisado vai principalmente de novembro de 2016 a novembro de 2022.

Entre os problemas estavam a ausência de diligência adequada sobre clientes de maior risco, verificações insuficientes da origem dos recursos e controles fracos em canais que permitiam depósitos em dinheiro e transações feitas por terceiros. Segundo a AUSTRAC, em alguns casos não havia identificação apropriada de quem efetivamente fornecia o dinheiro.

Clientes VIP, junkets e canais de pagamento de alto risco

A AUSTRAC informou que mais de 1.200 clientes puderam apostar por canais considerados de risco elevado para lavagem de dinheiro ou financiamento do terrorismo. O caso também analisou o relacionamento da empresa com intermediários de apostas de alto valor, conhecidos como *junkets*.

A decisão menciona receita de mais de A$ 1,4 bilhão nas operações de junkets e cerca de A$ 1,33 bilhão em receita de clientes de alto risco, segundo estimativa da própria The Star. Esses números representam receita operacional, e não valores judicialmente comprovados como dinheiro lavado. As categorias podem se sobrepor e não devem ser simplesmente somadas.

Por que a multa ficou abaixo dos A$ 400 milhões pedidos?

A AUSTRAC havia solicitado uma multa de aproximadamente A$ 400 milhões. A The Star, por sua vez, sustentou que um valor acima de A$ 100 milhões poderia comprometer sua continuidade. O juiz Cameron Moore considerou a gravidade das infrações e o efeito de dissuasão, mas também levou em conta cerca de A$ 200 milhões em penalidades estaduais anteriores, restrições de licenças e medidas de correção de controles.

O parcelamento não significa que todas as questões de licenciamento ou as dificuldades financeiras da empresa tenham sido resolvidas.

O que a decisão representa para os cassinos australianos?

O caso reforça que não basta ter políticas escritas: é preciso aplicar na prática a identificação de clientes, a checagem da origem dos recursos, o monitoramento contínuo das transações e a supervisão da administração. Retornos comerciais do segmento VIP não dispensam essas obrigações.

Trata-se de uma sanção civil, não de condenação criminal de todos os clientes citados. A BetVerity continuará acompanhando os comunicados oficiais sobre a multa e as decisões de licenciamento conduzidas por órgãos estaduais.